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Pesquisa, arte e sustentabilidade
A InovaUFRJ mostrou ao público na Marina da Glória uma variedade de projetos, que vão do desenvolvimento de tecnologias marinhas e energia limpa ao monitoramento artístico de dados da Baía de Guanabara (Fotos: Luiz Costa)

Pesquisa, arte e sustentabilidade

Núcleo de inovação tecnológica da UFRJ apresenta no Green Rio Summit a força da transformação sustentável

Maria Clara Patricio

Durante a última edição do Green Rio Summit 2025, no fim de novembro, a InovaUFRJ – núcleo de inovação tecnológica da universidade – mostrou ao público na Marina da Glória como o conhecimento acadêmico pode gerar soluções criativas e sustentáveis. O estande contou com uma variedade de projetos que vão do desenvolvimento de tecnologias marinhas e energia limpa ao monitoramento artístico de dados da Baía de Guanabara.

As algas foram protagonistas nos trabalhos de dois núcleos de pesquisa. O Centro de Estudos de Produtos de Algas (Cepa/UFRJ) busca impulsionar a cadeia produtiva, garantindo pesquisa e acompanhamento durante o desenvolvimento de produtos e processos. Já o Laboratório de Bioquímica e Biotecnologia de Algas (LBBAlgas) reúne pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade para criar soluções direcionadas a empresas e startups.

Entre as inovações, destacam-se o plástico biodegradável, o hidratante para mãos e o suplemento alimentar para cães. De acordo com Rafael Silveira, aluno de iniciação científica da UFRJ e integrante do LBBAlgas, “a principal ideia do laboratório é conseguir não só explorar todo esse material, mas também auxiliar o meio ambiente da melhor maneira possível, resgatando os corpos hídricos, ajudando a diminuir a pegada de carbono e, com tudo isso, integrando sempre a economia circular”.

Na área de energia limpa, a busca por soluções sustentáveis é representada pela Equipe Fernando Amorim, fundada em 2014 por estudantes do Campus Macaé da UFRJ. Alunos de engenharia de controle e automação do Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Macaé participam do Desafio Solar Brasil, competição anual de barcos movidos a energia solar.

Jorge Teixeira e Daniel Codeco, membros da equipe, explicam que o barco, equipado com placas fotovoltaicas, tem toda a parte elétrica e mecânica e a estrutura construídas pelos próprios alunos da universidade. Além de competir, o time leva o projeto para escolas públicas da região, apresentando a pauta ambiental e aproximando o público infanto-juvenil da UFRJ.

O projeto A~MARLab Estação-Laboratório Marinha para Investigação em Arte Ambiental, coordenado pelo professor Guto Nóbrega no Núcleo de Arte e Novos Organismos (Nano) da Escola de Belas Artes da UFRJ, oferece uma nova perspectiva sobre a poluição da Baía de Guanabara, ao transformar dados em performances audiovisuais. Criado no Centro de Letras e Artes da UFRJ, por meio do Programa de Projetos Especiais do Parque Tecnológico, o laboratório flutuante une elementos artísticos, científicos e tecnológicos para monitorar as águas da baía.

“O projeto nasce de uma vocação na área de humanas em lidar com o lúdico, o poético, em diálogo com o sensível”, explica o professor. O laboratório conta com a colaboração de engenheiros, arquitetos, artistas e estudantes de diferentes áreas. Sensores medem variáveis como temperatura, luminosidade e qualidade da água. Os dados são transmitidos em tempo real para análise e resultam em instalações artísticas que transformam a ciência em uma experiência estética.

“A arte tem essa capacidade de se posicionar de forma visionária, à frente de nosso tempo”, diz Nóbrega. Apesar de ser um projeto de viés artístico, os dados coletados podem ser utilizados para diversos fins. “Quanto mais exploratório o processo, mais margens ao acaso e surpresas criativas acontecem.”

A tecnologia ganha forma de uma maneira totalmente imersiva através dos trabalhos do projeto Metaversidade, desenvolvidos por alunos do Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas. Durante o Green Rio Summit, o público teve a oportunidade de vivenciar a experiência de realidade virtual criada em parceria com o Museu Casa Rui Barbosa. O aluno Dario Maciel fez um mapeamento do automóvel de Rui Barbosa com fotogrametria, permitindo que, com óculos especiais no ambiente virtual, o visitante conseguisse interagir e montar o carro peça por peça.

Segundo Luis Moura, aluno de comunicação social da UFRJ que acompanha de perto os projetos de inovação, o impacto social da tecnologia mostra como ela pode ser uma ferramenta poderosa na democratização da ciência e da cultura.

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