Felipe Rosa
Superintendente-Geral de Pós-Graduação e Pesquisa
Há algumas semanas saiu a edição de 2026 do Center for World University Rankings – mais conhecido pela sigla CWUR. De forma resumida, é um ranking que lista as 2.000 melhores universidades do mundo baseado em quatro indicadores: pesquisa (com peso de 40%), educação (25%), empregabilidade (25%) e distinção acadêmica (10%).
Como a maior parte das universidades brasileiras caiu de posição quando comparadas com o CWUR 2025, vimos uma profusão de manchetes sobre o assunto e, mais relevante para esta coluna, o avanço de um diagnóstico, feito pelo próprio presidente do CWUR, de que a queda refletiria “anos de financiamento inadequado e desvalorização da ciência”.
Apesar de tal afirmação não estar propriamente errada, veremos abaixo que isso não explica nossos resultados.
Ao verificar a queda de 45 das 52 universidades brasileiras que figuram no ranking, surge naturalmente a questão de como outros países teriam se saído. Ao olharmos para os Estados Unidos, começa a se desenhar um cenário um pouco diferente: nada menos do que 252 universidades estadunidenses caíram de posição, aproximadamente 80% do total. É claro que os EUA não vivem o seu melhor momento, mas certamente não se pode falar em desfinanciamento sistemático por lá.
Se considerarmos agora a França, mesma tendência: 62 das 71 universidades desceram de posição. Um exercício simples mostra que a esmagadora maioria dos países repete o padrão, com uma notável exceção: no vácuo deixado por essas quedas generalizadas, tivemos a incrível marca de 351 universidades chinesas subindo de posição – há 360 instituições chinesas no ranking.
Isso nos permite concluir que a moral da história do CWUR 2026 não são os problemas do Brasil – que, novamente, existem – mas sim as soluções da China.
P.S.: das 17 universidades que ultrapassaram a UFRJ do CWUR 2025 para o 2026, 10 são chinesas. As outras sete são de sete países diferentes.